Se você decidir esperar por mim, eu jamais permitirei que algo a faça arrepender-se, se você ousar abrigar a fidelidade dentro do seu peito, eu prometo, ser leal ao nosso ideal.
Mesmo calada, aconchegada de silêncio profundo, eu saberei dizer a você o quanto você é capaz de me fazer feliz, meus sonhos são doloridos, são afetuosos demais, eu não sei mais distinguir você de mim, eu não sei como achá-la estando perdida, essa aliança é permanente em minha mão, mas desprovida de um par, que esse vazio não persista em alastrar-se, eu receio não suportar mais do que isso, eu sou incompleta, e não é porque não a tenho, sou incompleta por natureza, você não iria amenizar, você não é um remédio, você não é algo superficial e contudo, você me completa, completa o meu lado sem espaços, completa o que transborda, preenche a lacuna desse sonho que não se sonhou. Eu preciso de você não por necessidade fisiológica, meu corpo pulsa como o de um bicho, mas eu te quero infinitas vezes mais do que pra vícios, você não é o meu alimento, apesar de ser perfeitamente elaborada para tal. Você não condiz com o que eu idealizava, você ultrapassou quaisquer ideologias infundadas, você me afastou de tudo aquilo o que me fazia bem, para livrar-me de todo mal, você sempre me decepcionou, porque nunca pôde conhecer o melhor de mim, você errou ao permitir que tantas mentiras fossem ditas, você errou ao me cobrir de fantasias e esperanças, você errou porque sabia, que eu acreditaria, porque sabia que eu não magoaria você, que suas vontades sempre seriam respeitadas e suas verdades sempre aceitas. Você errou desde o inicio, quando meu rosto ainda era pó e você viu a luz, quando meus lábios eram opacos e você os viu rubros, quando meus olhos eram mudos e você os ouviu falar, quando meus ouvidos eram surdos e você fê-los escutar. Você se afastou de mim depois que me induziu a roubar-lhe um abraço, você se agarrou ao meu abraço e por um instante eu pensei se eu deveria largá-la, e você fez que não, disse que não existia mais nada, que éramos apenas nós e aquele abraço, que apenas nós éramos os sobreviventes e que nada havia de qualquer outra coisa no mundo, eu acreditei em você, mas o instante terminou e nós nunca mais nos abraçamos, e o mundo inteiro são coisas demais para conceber, quando o que eu mais quero, resume-se a você, e enquanto tudo é inteiro, eu sou disforme, incompleta, e enquanto tudo se reconhece e se une, eu estou desmontada e assustada, comemorações eu não comemoro, festas eu não festejo, amores eu não amo, desejos eu não vivo, nas lembranças, eu ainda recordo dos teus traços, do formato doce dos teus lábios, do paraíso de que eram temperados os teus olhos, e ao convidar-me o sono, eu só vou pra te encontrar, estejamos sempre lá, sejamos ao menos, pontuais.

04/12/05