Fruto do Rancor

Ignorar o dano que nos causaram...
Tão fácil falar e pensar, tão cretino dizer.
A injúria após a injúria, tão fresca,
Tão fervente no sangue, é tão amarga
Quanto a lava a explodir em uma erupção.

Odeio profundamente quando vem o ódio,
E não há pacifismo que apazigue.
E quanto mais me tomam por diabólico, 
Rancoroso, mesquinho, vil...
Menos gentileza eu sinto fluir em meu ser.

Que as injustiças são colossais, bem o sei.
Que as considerações alheias são diminutas, também...
Porém, ignorar quem nos causou danos e só seguir em frente,
Esperando uma providência, destino que nunca virá,
Posto que tal como a fé, é tão relativa;
Um sacrifício em nome da própria paz ou para preservar outros
Relevando a cólera que ferve e nos consome,
Bem como a certeza de que a represália é possível e justa,
É, de fato, o ideal caminho?

Eu vou me consumindo na dúvida e findando a paciência.
Eu quero esse rancor para mim, visto que não vejo
A fórmula mágica do mundo trazer a recompensa
Da verdade e da justeza. A mentira impera e prejudica
E não posso conceber que fique por isso mesmo...
Mundo alienado onde só apontam erros, mas não os assumem;
Em que o meio de todos os fatos são narrados
E nunca se chega a ponto algum.
Como reformar e reparar o que a inverdade constrói?

Eu sinto ódio. Fundo. Profundo. Abissal.
Se é o melhor, não o sei, mas alimento a fúria...
Um fruto de rancor amargo, mas tão suculento e maduro...
Posto que, a sociedade releva o que não é irrelevante.