PALAVRAS AO VENTO


Palavras soltas ao vento
Sem nexo, nem reflexo
Tudo sem cor, sem sabor
Vidas ao léu como um véu
Esvoaçando num mar avulso
Num mundo confuso, absurdo.

Palavras como dilema
Sem tempo, sem problema
Adverso ao tema, acaso do silencio
Flutuando no sistema, como um lema
Que embaça, embaraça, e deixa tudo
sem graça.

Palavras ocultas sem nome
Devasta incoerente, inerente
Como plumas que evadem no ar
Sem pressa sem messa
Como fonte esquecida.

Palavras como emblemas
Rasquinho descrito no papel
No verso, rasgado, amassado
Como sinopse de um amanhã;

Palavras seria ditas sinceras
Como homofobia que se lança
Falando alto, gritando sem contensão
Ditas baixinho, como segredos do tempo
Pedindo socorro num mundo louco.

Sim palavras, como revezes
Escritas no papel, como versos do céu
Desfeitas na mente, como semente que derreteu
Seletas, permanentes, faladas por gente
Que a própria vida escreveu.
E2RM
11/12/2015

Rita Marilda Paulino
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