Um estado sem fronteiras
Sem limites ou barreiras
Uma mancha no seu lençol
Coberto com sangue  espanhol
 
Sangue de fidalguia
É isso que expele
Em lenta agonia
A justiça que espere
 
Até que essa hemorragia
Pare de insistir
Até que uma magia
Transforme nosso porvir
 
É por isso que se vive
Mas só se espera
Num sonho que tive
Um distante sonho era
 
A liberdade não haverá
Nem substância terá
A fantasia é seu reino
Seu único sustento
 
O que corre agora
Depois das guerras
É outro sangue e fora
Todas as trevas
 
Estamos sãos e salvos
Em nossos lares
Ou deitados no asfalto
Junto com milhares
 
Homens fétidos
Chamados vagabundos
Pelos néscios
Que governam , iracundos
 
Com o que lhes incomoda
A insossa verdade
Que lhes bate a porta
Perdem  o sono com a idade
 
Acumulando seu egoísmo
Sua tristeza , em longas  enxadas
E inchadas as cidades se confrontam
Por poder, pelo fogo alienadas.