Paradoxo

Saudade de tudo que vivemos!
Dessas nossas loucuras racionais,
comedidas,
sempre tão bem refletidas.
Dessa nossa liberdade cautelar
pensando em todos, menos em nós
com todas as vozes presas e os corpos repletos de nós.
Desse andar solto, com as horas marcadas
em lugares nossos, previsíveis
que não oferecem risco nem nas madrugadas.
De nós, tão nós como quaisquer outros
formatados aos bons modos da beleza que está posta
e a todos os demais engodos.
Sempre tão bem comportados, nós sujeitos, cidadãos
sem máculas acusatórias
a não ser o furtivo toque das mãos.
Saudade de tudo o que não vivemos!
Ninguém além do Amor, da Liberdade e da Vida, podem nos cobrar,
afinal, fomos perfeitas, belas e sutis amarras
que nem os escritos acima conseguiram desatar.

Sem comentário!

Goiânia, 29/12/06, 00:00h