Fantasmas

Eles assustam,
Tumultuam a mente,
Gelidamente,
Em vultos que passam,

Nem luz nem fumaça,
Nem nuvem também,
Uma pincelada, talvez,
Um borrão na vidraça,

Alguém disse
Que o viu à tarde,
E seus olhos enxergaram,

E para dentro partiste,
Fundindo-se à carne,
E a vida deixaram.


E o que é oculto,
Na parte vazia,
Ali renascia,
Em forma de vulto,

Invertem-se os olhos,
Estranho labirinto,
E buscam, famintos,
Atar-se a ferrolhos,

E cá fora, em vida,
O vilão da história
Sorri da inércia,

A vida é colorida,
Mas borram a memória
Em sua tragicomédia.


E pouco a pouco,
Tornam-se muitos,
Promovem tumultos,
E torna-te louco,

A realidade, agora,
É um gigante enfadonho,
Disfarçado demônio,
Que te apavora,

Assim deste vida
A uma arte mal feita
Por um charlatão perturbado,

Que cuspiu na ferida
Da sua vida desfeita
Por inimigos inventados.

Ricardo Lemos
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