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Ninguém entende os poetas...

Os poetas são rebeldes
de si , náufragos das
naus quebradas em
praias desertas...

É permitido ver a
beleza, contemplar
por instantes, com
seus olhos mágicos...
Mas não viver...

Os poetas gravam ternura
de um simples olhar, as
delícias de um momento,
pintadas de emoção...
Nas telas do fim do dia...

E por mais querer
que tenha... é negado:
a vivência dos sonhos...
tão mais belos...
mais distantes serão...

E os reles momentos
seus, pequenas gotas
frações displicentes
inconsciente e ávidas...
das noites insones...

Por isso ninguém entende
os poetas...
As sonhadoras distantes,
sem emoções, presas de
suas rotinas práticas...
As românticas esperançosas
de seus príncipes encantados,
em seu cavalo alado...

E as musas?
Ah! Estas iluminadas
distantes, nem sonham
que seu poder de sedução
possa ser distribuído em
dádivas, que apenas os
poetas sequiosos, bebem...

Despem-se...
Nuas e inconseqüentes,
efluem seus deleites,
dadivosos olhares,
que se extinguem
ao nascer do sol..

E na memória dos
poetas, estes loucos
que emprestam sua
emoção, rasgando a
alma em pedaços...

Assim nos perdemos,
os poetas aflitos,
e suas folhas mortas
nascidas do coração,
desdenhadas e fracas...

Ninguém entende os
poetas... E pela manhã
a tristeza vem fazer
companhia, talvez goste
de poesia, ou quem sabe
compaixão...Mas alguém
já disse: tem bom coração...

Mas os poetas cegos do amor,
Belo, passageiro da ternura...
estes não conhecem a felicidade,
sua volúpia é longínqua
em tarde que finda,
no outono da vida...

Esconde os olhos cansados...
Vem o silêncio caudaloso
rondando sua voz rouca
de gritar aflito sem vez...
que ninguém ouve...

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Uma das minhas raras poesias longas...
Talvez cansado de sofrer e sonhar veio o caudaloso abrir das comportas da alma...
Talvez poucos entendam que os poetas, são assim...
Incompreendidos...
Mas fiéis em suas emoções que fazem crescer...
e renascer das próprias feridas... Porto Alegre

Abel G. Saint'ell
13/06/1990