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Incompreensão...

Pedaços de mim voam por ai,
Pedaços incompreensíveis,
Partes que ninguém entende,
Nem eu mesma.
 
Lágrimas caem por meu rosto,
Lágrimas que nem eu mesma posso entender,
Lágrimas que não queria ter de derramar,
Lágrimas salgadas que banham meu rosto.
 
Por que nem eu mesma posso me entender?
Entender as emoções turbulentas,
Emoções que vem de mim,
Que estão dentro de mim, nascem de mim.
 
 Ah, como eu queria me entender!
Queria me entender,
Mais do que eu queria que me entendessem,
Mas não posso e não sei o porquê.
 
As pessoas me olham,
Me julgam,
Julgam a garotinha imperfeita que sou,
Julgam minha mudança.
 
Mudança que nem eu sei o que causou.
Mudança que eu não queria que tivesse ocorrido.
Antes, a garotinha perfeita,
Agora a mais imperfeita de todas.
 
A garota que cresceu,
A garota que tornou-se,
A garota única, original, que recusa imitações,
A garota que mudou.
 
De todos os lados que eu vejo,
Vejo as pessoas me criticando,
Me cobrando,
Cobrando uma cobrança que não poderei pagar.
 
A garota que quer,
Quer as experiências,
Quer os erros,
A imperfeição.
 
A garota confusa,
Hora quer ser médica...
Hora escritora,
Hora que só quer pensar no presente e deixar o futuro pro futuro.
 
A menina dos olhos sonhadores,
Que sonham com um romance do século XIX
Onde o amor eterno reinará,
Onde o primeiro beijo dará.
 
A adolescente que ninguém pode desvendar os pensamentos,
Mas que ao mesmo tempo é um livro aberto,
Livro aberto para todos,
Todos que a observarem bem.
 
A metida à inteligente que todos provocam,
E a que devolve todas as provocações de volta.
A metida à conselheira que todos procuram,
E a que dá conselhos.
 
A menina que morde o lábio inferior quando está tentando pensar,
A que fecha os olhos para lembrar, para imaginar.
A garota que revira os olhos quando se depara com algum absurdo,
A que estreita os olhos quando está nervosa.
 
A que se encolhe quando recebe uma bronca,
A que estremece quando pensa na vida,
A que ri nos filmes de terror,
A menina louca que nada teme e tudo teme.
 
Sou a garota que parece estar sempre de TPM,
De Temporada Para Matança.
Sou a garota que se decepciona consigo mesma,
A garota com que toda a família se desaponta.
 
Desaponta-se porque ela mudou,
Cresceu,
Melhorou,
Piorou.
 
A garota que se irrita com ela mesma,
Mas que desconta na família,
Na família que a julga,
Na família que a ama.
 
A mocinha que faz versos,
A que adora ler,
Escrever,
Sonhar.
 
Sonhar com um vampiro,
Com um anjo caído,
Com um demônio,
Sonhar com como a vida será.
 
A garota que agora se banha em lágrimas,
Que se banha em lágrimas por estar farta de todo o julgamento, de toda a cobrança.
A garota que agora se olha no espelho e não se reconhece,
Não se reconhece por suas partes indecifráveis estarem ao ser redor e elas não poderem ser reunidas.
 
A menina que passa a noite pensando,
Pensando em seu futuro,
Pensando em outra mudança,
Pensando em como será a vida.
 
Queria poder viver somente a felicidade,
Mas a tristeza vez junto,
Pondo-a para baixo,
Fazendo com que ela se esqueça de tudo e se entregue a solidão.
 
A solidão que a toma,
A mesma solidão que faz com que ela escorregue pela parede agora e sente-se no chão,
Pondo as mãos sobre a cara e desabafando,
Desabafando a solidão em lágrimas, que a sufocam.
 
Sou a mesma garota que agora se ergue e se olha no espelho,
Olha novamente a sua figura distorcida,
A mesma garota que sorri pela distorção,
Pois sabe que nunca poderá se completar.
 
A menininha que seca o rosto com a manga da blusa,
A menininha que nunca se entenderá,
A menininha que já se acostumou com essa ideia,
A menininha que quer que todos se acostumem também,
 
Quer isso porque nunca irá mudar,
Mudar vai,
Mas não vai voltar ao que era antes,
Vai amadurecer.
 
A mesma adolescente que sabe que nunca a entenderão,
Porque ela também sabe que ela própria nunca se entenderá,
A mesma adolescente que quer a família perto de si,
Mas ao mesmo tempo quer crescer e se mudar, virar independente.
 
Sou aquele tipo de garota que faz planos,
Planos para viagem,
Planos para o futuro,
Planos para a vida.
 
Sou aquele tipo de garota que ama os amigos,
E que por eles faz tudo,
Aquela que não tem amigos,
Tem outra família.
 
A garota imperfeita mais que perfeita, que se olha no espelho,
A que sorri com a imperfeição,
Pois a imperfeição é isto:

Apenas mais uma forma de perfeição.

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Graziella C. Aoki de Abreu
19/04/2011