O berço que Jesus usou na estrebaria
Ao nascer neste mundo infortunado
 E que foi por acaso oferecido a Maria
Era emprestado!
 
Em Jerusalém, palmas, alegria,
Pelo povo recebido e aclamado
O jumentinho que o conduzia
Era emprestado!
 
O mestre entre todos repartia
O pão e o peixe multiplicado
Aquele pão que ele dividia
Era emprestado!
 
E o barquinho naquele dia
Onde O mar foi acalmado
E que Pedro usou na pescaria
Era emprestado!
 
O quarto da santa ceia que mostraria
Judas o traidor desgraçado!
Pedro que logo o negaria
Era emprestado!
 
E o sepulcro de onde havia
Ressurgir ressuscitado
E ressuscitou no terceiro dia
Era emprestado!
 
Em fim nada era de Jesus
Mas, a coroa de espinhos e a cruz
Eram realmente do messias?
 
Mas, tudo isso me deixa contrariado.
O berço da estrebaria, o pão que dividia
O jumentinho que chegou montado
O barquinho, O quarto e o túmulo mortuário
Nada ele tinha...
Tudo era emprestado!
 
Mas, a rude cruz, negra e mesquinha
Onde morreu e me salvou,não era sua
Eu lhe emprestei, A cruz era minha!
 
 
 
 
 

Carlos Cintra
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