Crendice ou loucura ?

Crendice ou loucura ?


 Foi num dia frio do mês de junho de 1969 que ouvi esta estranha estória de um velho moribundo. Naquele dia, como tantos outros, eu estava visitando o (Lar dos velhinhos) na cidade de São Caetano do Sul quando derrepente notei que, o Senhor da cama (32) do quarto (56) fazia um sinal com a sua mão como querendo dizer, - Vem cá meu jovem, preciso falar com você. Aproximei-me daquele homem de corpo magro subjugado pela vida, de olhar distante, voz serena e bastante ofegante. O velho pegou na minha mão esboçou um sorriso e disse – Você acredita que eu vi a morte besta fera?. Fiquei sem jeito e por uma questão de princípios respondi que sim, então o velho relatou-me como tudo aconteceu. – Há muitos anos atrás eu presenciei pela fresta da janela do meu quarto a “morte da besta fera”, que foi decapitada pela espada flamejante de um anjo que desceu do céu montado num cavalo branco com asas douradas e coberto por um manto azul celeste. Era uma noite de sexta feira do mês de junho de 1911, estava muito frio e a lua foi ofuscada por grossas nuvens negras que rodopiavam fazendo enormes caracóis. Naquele breu só se via o reluzir dos pequenos pirilampos sendo arremessados ao chão pelo vento tempestuoso. Os trovões sacudiram toda a terra, era como se tudo estivesse desabando sobre mim. Os clarões dos relâmpagos desciam do firmamento como se fossem “línguas de fogo” lambendo tudo por onde passava, um rastro sinistro de destruição podia ser visto a léguas de distância. O vento soprou com tanta valentia que fez parecer que o dia do juízo final tinha chegado. Derrepente da escuridão surgiu aquela figura horrenda, meio homem meio animal com orelhas pontudas, olhos de fogo, suas narinas expeliam uma fumaça amarela com cheiro de carne queimada, os seus cascos soltavam fogo e demonstrando uma fúria brutal (escoiceou)  e derrubou o velho (cruzeiro)  que eu havia plantado à beira da estrada para simbolizar a minha fé no meu criador.
    Minha casa era feita de (taipas). Eu ganhava a vida na lida bruta nas derrubadas do mato abrindo novas áreas para o plantio de alimentos e para a criação de gado. Pela fresta da janela do meu quarto e com os cabelos arrepiados, tremulo e morrendo de medo eu presenciava aquela terrível visão. Depois de algum tempo paralisado consegui recobrar a consciência e com muita fé no coração roguei ao meu criador que me livrasse daquela criatura imunda que aterrorizava o meu ser. O meu Senhor ouvindo as minhas preces enviou um anjo que desceu do céu num cavalo alado de asas douradas e coberto por um manto azul celeste, a mão direita empunhava uma espada flamejante. O anjo desceu do céu acompanhado por mais seis anjos que tocavam trombetas entoando hinos em louvor ao meu Senhor e criador. Quando os sete anjos aproximaram-se da besta, ela ficou furiosa, estavam ali frente a frente as forças do bem e, as forças do mau. Uma batalha terrível foi travada naquele momento. Depois de muita luta o anjo do meu Senhor desferiu um golpe certeiro no pescoço da besta separando a cabeça do seu corpo, então se ouviu um tremendo estouro e um cheiro horrível de enxofre ficou pairando no ar. Pela fresta da janela pude ver um lindo facho de luz fluorescente que desceu do céu e arrebatou os sete anjos que foram levados de volta ao paraíso. Foi assim meu jovem que eu presenciei a “morte da besta fera”, eu juro que foi assim que a (besta) foi vencida pelos anjos do meu Senhor e criador.

 

 

 

O velho que narrou esta estória para mim morreu três dias depois
de eu o ter visitado. Relutei muito para postar este texto, meus princípios falaram mais alto e por uma questão de justiça, tardia talvez, mas não maior do que a minha consciência... Obs. Ele se chamava Sebastião dos Anjos, nasceu em 23/06/1881, faleceu em 26/06/ 1969, com (88) anos. Algumas coincidências me deixaram indignado até hoje, Ex. Seu sobrenome é dos Anjos. Se somarmos (19+69) vai dar 88. O numero da cama era (32) o do quarto era (56) somando-se os dois da (88). Obrigado pelo carinho da visita ao sair deixe um comentário ou uma simples critica.
Jose Aparecido Botacini
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