Observadores dos Fortes

Quantos homens à espera do inimigo
Contemplaram em perigo belas vistas em tantas eras...
Pacientes feras a aguardar a indesejável visita da guerra
 
Plácidos semblantes com olhos firmes ao horizonte
Tornam-se a inesgotável fonte dos testemunhos de arte do ocaso
O belo ofertado a iluminar a alma do solitário soldado raso
 
Batalhas intensas são travadas no pensamento
Passadas no longo tempo do cumprimento do ofício
O perfeito sítio para moer ofensas e insensatos sacrifícios
 
Indecifráveis rostos na escuridão fria das noites limpas sem luar
No contemplar mudo de brilhantes eventos celestes
Reluzentes restes no céu a presentear os preteridos terrestres
 
Com o calor do crepúsculo na face cansada do fiel observador
Sentindo o peso do labor na certeza do dever cumprido
Sem alarido afasta-se do posto que com arte e emoção plena viveu contido
 
Nas incontáveis gerações de observadores dos fortes
O incauto que com sorte os via porque por ali caminhava com coragem
Em sua rápida passagem percebia somente olhares perdidos para a paisagem