Desfeitos


Sábios conselhos desterrados
De velhos  amigos antigos sorrisos
Pena não serem aplicados
E mesmo simples e concisos
Acabamos assim, afogados
Dantes um ao outro nascidos
Agora apenas desconhecidos enterrados
 
Na velha angústia pelo homem  inventada
Nesta sociedade que todos sabem, está errada
Nos tornamos senso comum entre os demais
O que era lindo, tornou-se nunca mais
E se alguma hora te findo
Sou engolido  qual navio, tão próximo do cais
 
Por minhas esperanças consumido
A decepção logo me desfaz
E em uivo doente exaurido
Só te peço um pouco de paz
Pois se por meu coração sou destruído
Minha mente não me permite andar para trás
 
E lembrar tão vivo e real o sonho
Que um dia tive contigo
Confesso que ainda ponho
Meu futuro inteiro em risco
Em nome deste meu pesadelo
 
E agora nem as boas lágrimas me descem
Meus olhos se recusam a lacrimar-se
Simplesmente, secos, perecem
Como se a vida inteira por eles passasse
Lembrando dos beijos que deixei de dar
E do amor que esqueci de compartilhar.