Carta a uma amiga virtual

Oi, amiga virtual e sentimental!
Tenho tido a impressão de que todos,
de repente, desaparecemo-nos,
pois não nos damos mais as caras,
nem sequer as palavras
de olá, até, psiu...

Vejo o mundo tão vazio,
na verdade, nem sei se estou vivendo
o exato momento atual,
tamanha é a luta diária
para acumular bens, matérias

para um futuro duvidoso;
sem percebermos que o presente
fora, para o ontem, uma era
igualmente futurística;

sem sequer notarmos o concreto
sentido da vida
que, de tão corrida,
perde-se, paulatinamente.

Como, aos poucos, esvai o senso
de direção, de emoção, de afeição,
e o elevado grau de dissenso
torna o ser propenso
a uma irreversível solidão...

29 de Março de 2005