Roubaram

Ler e entender poemas
é um despertar singular,
algo isolado,
que só os que ousam interpretar vazios
e avançam sem reservas
pelos mistérios das entrelinhas,
o sabem.

É um olhar mais atento na foto da parede,
um tentar adivinhar o pensamento do fotógrafo
naquele momento.

Caminhantes desavisados na arte da leitura,
se perdem nesses textos maravilhosos,
viram as páginas,
dizem que não gostam.

Já o poeta,
o dito cujo tão aclamado,
acha que sabe tudo,
quando na verdade o que sabe mesmo,
é o que encontramos
nas suas obras.

Poetar
é montar um mosaico,
palavra por palavra.
É um colar e descolar pacientemente,
Vocábulos.

Decifrar um poema,
é visualizar numa escultura
o que ali não está.
O que o artista escancara na sua obra,
só para os sensíveis
quando critica a política
ou expõe as fraquezas do humano.

Interpretar poemas é para os fortes.
É preciso fazer um verdadeiro ritual.
Um quase cantar repetidas vezes os versos.
Se encantar,
Contar,
recontar,
se encontrar ali nos entremeios
do maravilhoso mundo das palavras.

E no deslumbramento de se ver e sem ressentimentos
gritar para os quatro cantos do universo...
“ Roubaram minha história,
isso tudo aí é meu.
Quem abriu meu peito,
se apossou dos meus sentimentos
e não os devolveu?”