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J.R.Nettzo

Numa noite gelada e sem tramela
Persegui os recados da saudade
Escondendo essa enorme soledade
E o estudo me fez este pintor
Traço no verso aqui a minha dor
Destas noites de sono em sepultura
Tergiverso no quarto a procuras
Vagando olhares em livro escondido
O silêncio da noite é que tem sido
Testemunha das minhas amarguras.

Pintei cores e desejos desnudados
Belas nuas telas cruas e pecados
Cantei versos encantando apartados
Bati pé tentando conciliar
Essa sina e a sina familiar
No ensejo de maldade e canduras
Fui louco nestas noites mal seguras
Dando gritos, decifrando alarido
O silêncio da noite é que tem sido
Testemunha das minhas amarguras.

Existi, desisti em quarto escuro
O meu verso só existe em noite nua
De estrelas clareando a minha rua
Fui ébrio em noite ébria em puro ato
Vomitei meus pedaços em retrato
Recordei de vaginas em gravuras
No despertar de orgasmos em clausuras
Fui a puta-que-pariu algum marido
O silêncio da noite é que tem sido
Testemunha das minhas amarguras.

Recarrego o desterro da lembrança
Boto um filme na fita rumo ao vento
Descobrindo o segredo do acalento
Sepultei uma verdade mal contida
Assoviando na esquina da partida
Faço esboço em carrego de rasuras
Esfumando o sombreado dessas juras
Compro verso de um deus aborrecido
O silencio da noite é que tem sido
Testemunha das minhas amarguras.

No encontro de terra cristalina
Descobri um sentimento desbotando
Nesse intimo de medo foi-se dando
O segredo de brisa e beijo em mim
Decifrando o sangrado em cor sem fim
Assoviei labirinto em partituras
Acordei contratos em tessituras
Mesmo sendo um músico adormecido
O silêncio da noite é que tem sido
Testemunha das minhas amarguras.

Ontem à noite conquistei mais um abraço
De um louco por recado de outra vida
Catombando parede em outra ida
Capisquei palavra de todo jeito
Na conquista elevei esse meu feito
Traço estrofe de novo sem usuras
Refutando discurso com texturas
Namorei nesse escuro proibido
O silêncio da noite é que tem sido
Testemunha das minhas amarguras.

Entre dezembro de 2004 e janeiro de 2005,
em afogados da ingazeira - PE, em minha cidade natal.