Site de Poesias

Menu

Carta ao Poeta Ronaldo Russo (Notícias do lado de cá do Estige).

[Ilustração não carregada]


Caro amigo, aquilo que vês e que ainda de leve  refulge, não seria decerto poesia, mas estertores agonizantes de um vício que, embora moribundo, recusa-se a se entregar ao derradeiro descanso e hora ou outra, convulsiona. 
Uma chuva fina encharca a pele, congelando até os ossos.
 O céu acinzentado, não deixa transparecer o brilho do sol.  Nuvens negras e ameaçadoras recobrem o firmamento, transformando-o numa abóbada cinzenta e compacta.
Do lado de cá, vejo o barqueiro se aproximando lenta e inexoravelmente.  A cada golpe da pá do seu remo, as negras águas se agitam e um lamento é ouvido, como se o próprio vento gemesse ao ritmo do vadear preguiçoso do  eterno condenado.
Ao longe, me sorri. 
Seus lábios se contorcem num maquiavélico esgar que deturpa seu rosto, como o rosto de um moribundo convulsionando nos últimos espasmos.
E eu nem tenho uma moeda para entregar...
 
Talvez, se como Aquiles, eu arriscasse um mergulho, eu me tornasse invulnerável.  Mas até aquele, o destino alcançou...

Compartilhar

Ainda que eu falasse a lingua dos homens e dos anjos,
se eu não tivesse amor,
eu não seria nada...
(Corintos 13)

BRUNO
22/06/2013

  • 8 comentários
  • 293 visualizações neste mês
  • © Todos os direitos reservados