Trinta e um

 
De repente a gente olha no espelho e vê os sinais do tempo na pele.
O olhar de menino que se esvai, o sorriso que já não brilha como antes.
O semblante sereno e doce, da lugar à seriedade, à responsabilidade da vida.
Daí a memória viaja ao passado, lembramos dos amigos que fizemos.
Amigos que se perderam no tempo, familiares que já se foram, amores que já não existem mais.
Buscamos novas compreensões, perguntas que continuam sem respostas, palavras ditas que nunca voltarão.
Analisamos as escolhas que fizemos, mas que jamais poderemos nos arrepender, afinal, somos donos das nossas ações.
Enfim um lampejo me toma. Descubro que meu espírito ainda é o mesmo.
Apesar do tempo que não da trégua, eu sou o mesmo garoto sonhador.
Mas que agora seus sonhos são maiores, responsáveis e possíveis.
Os amores que já deixei pra trás, deram lugar a um amor singular. Diferente de tudo o que já vivi.
Os sonhos de menino deram espaço aos sonhos de quem quer ter sua casa, sua família.
O olhar triste que me permeia na data de hoje, começa a esboçar um olhar de garra, de força pra continuar meu caminho.
Sei do quanto posso realizar, do quanto posso seguir em frente.
Pois tenho um nome, uma honra, uma vontade de ser sempre eu.
Sigo, evoluindo, dividindo o amor que esta em mim.
Traçando um rumo na vida, e enfrentando os obstáculos que ela me apresenta.
O fato é que não desisto por motivo nenhum, pois agora tenho 31.

 

Carlos Eduardo Fajardo
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