Meu primeiro poeminha


Antes de postar esse poema, preciso contar a sua estória:
 
Escrevi, ainda adolescente, para minha priminha Natália, então com oito anos de idade e dona dos mais lindos olhos que eu já vi.
 
Foi datilografado em uma máquina de escrever Olivetti (os mais antigos hão de lembrar).  Natália, hoje com alguns anos a mais, tornou-se uma linda mulher ( é modelo profissional e aqueles olhos continuam lindos).  Durante a sua mudança para o apartamento novo, seu marido encontrou, dobrado em uma amarelada e já rasgada folha de ofício, colada com fita durex, no fundo de uma velha caixa de sapatos, esse poema que, emocionado, mandou restaurar e emoldurar, e teve ainda a gentileza de me enviar uma cópia...
 
 
Poeminha pra minha prima
 
Era uma vez duas estrelinhas
Mas tão brilhantes, tão acesas,
Que logo, logo sua beleza
Chamou a tenção do Criador.
 
Também pudera!
Brilhando nas esferas mais altas,
Duas estrelinhas peraltas,
Enchendo o Universo de amor.
 
Mas já imaginou o escarcéu
Que essas estrelinhas provocaram lá no céu?
 
As estrelas, embotadas de ciúme,
Foram perdendo tanto o lume,
Que quase não se pôde vê-las
 
A lua então, quem já viu?
Se encheu toda de mágoa,
numa atitude infantil.
 
Esperneou, fez beicinho,
Foi saindo de fininho,
E se trancou num quarto minguante
 
Até o sol, enciumado
Andou brilhando meio apagado
Numa atitude arrogante.
 
Sabe qual foi o resultado?
Todo astral enciumado,  se reuniu em segredo
falaram de traição, de morte e de medo,
e tomaram a decisão cruel
 
pegaram as estrelinhas
 e amarraram as mãos e os pés
deram muitos nós, mais de dez,
e jogaram elas do céu.
 
Um pescador ainda viu o rastro fluorescente
Das duas estrelinhas cadentes
Rasgando o temporal
 
Ele até fez um pedido
Mas a Terra deu um longo gemido
Quando aquele rastro colorido
Mergulhou no mundo abissal.
 
Mas Deus, que assistia a tudo, não deixou ninguém se afogar
Ele tirou as estrelinhas da água e deu
Pr`uma menininha que nasceu
Pra que ela pudesse enxergar.    
 
(Ah... Detalhe importante  a respeito das estrelas:
Quando caem nas águas do mar ficam verdes).
 
Ficaram, portanto, mais belas
Duas estrelinhas singelas
Da cor das águas do mar.
 
Mas já imaginou o escarcéu
Toda vez que essa menininha olhar pro céu?
 
As estrelas, embotadas de ciúme
Vão perdendo tanto o lume,
Que quase não se pode vê-las
 
A lua então, quem já viu?
Se enche toda de mágoa,
numa atitude infantil.
 
Esperneia, faz beicinho,
vai saindo de fininho,
E até o sol se amortalha.
 
Tudo ciúme!
 
Das duas estrelinhas cadentes
Que alegres, fluorescentes,
Vão brincando salientes
No olhar sapeca da NATÁLIA.

Estou apanhando tanto desse teclado novo, de ultima geração, que já estou até pensando em pegar o velho de volta...
BRUNO
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