Minha Negritude

 Tenho atitude e vivo o que sou

Exalto minha negritude
Não nego minha história
Alicerçada por meu tetravô.
 
Meu sangue crioulo
Derramado nos canaviais
E nos trabalhos mais pesados da mineração
É  a única herança restada
Aos filhos da escravidão.
 
Agora como podes negar tua cor?
Como posso negar minha cor?
É mais do que cor,
Se houver negação, é de quem sou.
 
Por isso bate no peito orgulhosamente e digo: Sou negra!
Sim, com cabelo pixaim
Minha identidade genética
Que todos os dias tentam furtar mim.
 
Não estou aqui dizendo que é fácil ser negra nesse país,
Na verdade não é fácil ser negro em nenhum lugar
Devido esse maldito preconceito
Que faz de nós sempre sujeitos alvos da discriminação.
 
Mas não vou jogar contra mim mesma
Mudando minha cor no senso do IBGE:
Coloca aí: sou negra,
Disso não abro mão
Uma resposta contrária é querer a própria exploração.