Voluptuosamente

 O ar que validava meus pulmões era o mesmo da tua atmosfera
Confundia-se meu cheiro com o teu
E os gostos das peles transitavam nas salivas
Líamos nossos corpos com as digitais dos dedos
Revelava-se, as poucas luzes, a nudez
Seios, tecidos e pêlos preenchiam as lacunas nas mãos
Úmidos denunciavam seus anseios
Adentravam-se um no outro,
Desejando se abrigar no infinito do tempo
E quase que por despercebido ouviam-se gemidos
Agradecimentos da carne, desprovidos de sutileza
Encontro exato de almas sedentas, até palpáveis
Intoxicadas por volúpia, que transcorria nos sangues
Então saciados, pousávamos a exaustão aos lençóis
Afagados em si e descompromissados de tudo.

Ana Julia Artur Bolato
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