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PLENO BRASIL

 
Eu não quero
Honras de ministro,
Nem que eu cantasse,
Nem que eu achasse
Fácil escrever.
Um negro com a viola
Despacha no gabinete,
Outro com a bola
Pratica na cobertura do ministério.
De tantas mazelas no Brasil
Este é o lado sério.
Brasil, mame
Ou deixe-o.
O recado parte o coração,
Mas é a verdade
Desprendida do Congresso.
Fica difícil sobreviver
Se ética ou alteridade
Aqui é o inverso.
Palhaçada com comida,
Política é ferida
Que não cicatriza
Nos meus versos.
Orelhas de folhas de banana,
Com olhos de fome,
Qual será teu nome
País sacana?
(ou seria sacaniado)
Onde negros extraterrestres
Fabricam, como escravos, carvão.
Não são de outro planeta,
São crianças
Sem a oportunidade
Da caneta.
Defuntos negros
Em pequenos caixões brancos.
E suas mães,
Sem óculos, pílulas ou muleta,
Mulheres que escaparam
Da maleita,
Saudáveis e bonitas,
Só ganham a vida
Em bordéis de palafita.
Nesse país cheio de riquezas,
Colorido com riqueza
Em  paleta de cores variadas
Tem homem deixando
A amada
E criança que não tem casa
Transformando-se nos semáforos
Em palhaços que não podem  rir.
O lugar do carnaval,
Com favelas intocáveis,
Tem felicidade somente no feriado.
Neste lugar, que fabrica energia para fora,
Falta eletricidade, e a luz que ilumina a noite
É a dos olhos dos miseráveis.
Se Vinícius fosse vivo
Teríamos mais um ministro
Para jogar a cultura no lixo.
Quantos já não vieram
Discursando sobre igualdade
Para depois
Separar sua metade
E fugir deste país.
Brasília continua uma pérola
Com a rodoviária intocável.
Povo para todos os lados,
O poder e a miséria confrontados.
Nesta terra que não se come sem política,
A labuta amarra o peito na infindável gruta,
Meu deus, que gente astuta
Essa laia que se critica.
No berço gentil os músculos do mulato é incompatível
Ao prato de arroz com ovo ao fim da luta.

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28/08/2011