Neste tempo a nós chegado


 
Neste tempo a nós chegado.
Neste tempo a nós chegado.

Eis um tempo, a nós chegado,
Que é deveras inspirador
Para criar letra dum fado
De saudades e de muita dor.

Saudades do muito que se foi,
Tristeza do pouco que se é,
Na alma o muito que nos dói
Para nos mantermos de pé.

Neste tempo de capitalismo
O Homem não é seu Capital,
É apenas um maquinismo
Que o mantem só animal!

Neste tempo, a nós chegado,
O tempo não se admira
De nos ver cantar triste fado
Em vez de dançar um vira!

Neste tempo, a nós chegado,
Chegou o tempo de tudo ter,
Só em tudo ter preocupado,
Sem tempo de ser e viver!

Passou o tempo de dançar o vira;
Tempo em que muito se dançou!
Enquanto se dançava o vira
O mundo e a vida mudou!

Agora,
Neste tempo a nós chegado,
Só se ouve o triste fado
Da maioria sem cheta,
À espera de tempo chegado
Para matar o autor da letra.
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Autor: Silvino Taveira Machado Figueiredo
(figas de saint pierre de lá-buraque)
Gondomar -Portugal

Silvino Taveira Machado Figueiredo
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