Dona

Tua forma em sonhos definida
que ao universo coube a arquitetura
em silêncio breve, cerimonioso
a invadir, de súbito, minha vida

Vejo em tua calmaria
o porto que necessito
e percebo tecer, fio a fio
o encanto de tua magia

E aquilo que em ti me domina
e que em paralelo vislumbro
mergulha em meu pensamento
és a "dona", mulher que fascina

Vens a mim, eu te abrigo
dou-me a ti, tu me guardas
mas quando foges inteira
ardo, não páro, prossigo

Retornas, então, aos meus braços
em teu poético caminhar
e dizes: "sou tua, eterna!"
e aí te envolvo, serena, em meu laço

"Dona" é o próprio retrato da mulher amada, porém cantada em rito mágico, doce e poético. É a sensação do cântico sereno, eternizado...

Salvador-BA, maio de 2004