MOZART

MOZART

 

 

 

Que faz de ti, gênio imortal?

As notas irretocáveis e as sinfonias que som algum pode expressar?

As óperas completas e até mal interpretadas...

Incompreendidas?

Que faz de ti memorável e indigente?

Sua grandeza artística agora se esconde atrás de noites de insônia e vícios.

E os tolos têm memória suficiente para lembrá-lo por tais deslizes.

Perdestes sua magnitude ao permitir que descobrissem as suas fraquezas.

Perdestes mais até... perdestes sua vida.

Toda humildade que jamais lhe coube, agora lhe cobra posturas mais humanas.

E isso mostra o quão frágil se fez.

Humilhou-se para os vãos e não permitiu ser amado pelos nobres.

Viveu uma vida de invejas e batalhas para brilhar na posteridade..

Seria este o destino de todo gênio imortal:

Morrer cedo para virar lenda?

Viveu o suficiente para deixar um legado para sempre inalterado.

Ainda flutuo ao som da majestosa Flauta Mágica...

Apuro meus ouvidos e delicio-me ao preciso Rato do Serralho.

Sou grande e única diante da nº 25.

Imortalizo-me junto a ti quando compartilhamos a nº 40.

E em meio de notas e falências deixo-te para tomar meu próprio rumo.

Aprecio-te, mas vivo na ilusão do grande mestre reencarnar seu ser.

O ano de 1756 deu vida a um dos maiores gênios que a humanidade pode conhecer.

Uma totalidade.

A arte viva e tocável bem diante de olhos que pouco souberam ter.

Sua grandeza só não se fez maior devido à decadência e a inveja humana.

Não somos divinos o suficiente para entender sua arte.

Nem educados para compreender seu feito.

E foi a morte prematura e voraz levou ainda jovem o que foi e sempre será:

Insubstituível!

Sua maior e mais temida batalha era vencer a si mesmo.

Não existiu (nem existirá) alma evoluída o suficiente para entender o que você fez e o que sua música diz.

O mundo não foi preparado para pessoas como você.

Perdemos-te antes mesmo de tentar entender sua infantil e ousada loucura.


 

Wolfgang Amadeus Mozart

(1756-1791)


Nota da autora: tão sutil quanto dar vida a música que embala sua própria morte é prosperar diante desta. E infelizmente Deus não lhe deu outra chance.

Carmen Locatelli
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