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RECADO!

 
 (Dialogo entre um deus terreno e um Deus inventado)
 
 
 
...e disse-me Deus,
ao sétimo dia,
dia de acalmia:
 
- Agora que nos teus
Desejos coloquei Apêndice
busquei tormenta em dia
de descanso. Foi burrice!
 
Para mal dos meus pecados,
Jamais terei sossego.
Para sempre terei carrego
Deste deslize. Ignorados
Serão meus avisos.
Viverás de desassossegos
Em mundos de poucos sisos!
 
Para mal dos meus pecados
Da costela, foi molde feito!
Jamais serás perfeito
Em teu apêndice. Finados
Estão meus avisos,
Desfiados e ditos a eito
Ouvidos com alguns sorrisos!
 
Da mulher que te deu Ser,
do seu corpo serás dono.
Engano teu! Em abono
Da verdade, o teu poder
será De Escravo. A mulher
Que te viu nascer, será patrono
Do teu poder e... querer!
 
Para mal dos meus pecados,
Usarás pecados teus,
Afirmando, desejos meus,
Para bem dos teus pecados!
Roubarás teu irmão,
E também os filhos seus,
Dividindo tua nação!
 
Para mal do teu mundo!
Quebrei a regra do descanso.
Grande falhanço,
Erro profundo,
Em dia de calmaria.
E desse pequeno avanço,
Serás escravo... noite e dia!
 
Para mal dos meus pecados,
Acenderás a pira da vergonha,
Levarás ao mundo a peçonha
Em choro e protestos ignorados!
Da mentira... farás verdade,
Usando manha e ronha,
Para gozo da tua maldade!
 
Para mal dos meus pecados,
Para mal de pecados teus,
Teus escritos serão ateus
Num mundo de disfarçados.
Teu evangelho? Excomungado,
Por nobres de Camafeus!
- Que farei! Serei calado?
 
Será que alguém, atento
Me ouvirá? Num mundo
Sem temor e ódio fecundo,
Serei voz da razão? Será que o vento
ouvirá minhas orações?
Porque não puseste Apêndice fecundo
No meu cérebro? Esqueceste nossos corações!
 
E esquecerás nossas orações!
Será que não tens duas mãos?
A mulher de quem saí, não é caos!
É amor...é carinho! É afectos e emoções
Que espalha pelos seus filhos.
A mulher que ama, afaga com duas mãos
E os homens, falam com a direita. Sarilhos!
 
Sarilhos colocaste no mundo,
Em teu dia de descanso. Pobre
De mim e pobre de ti. Nobre
Foi teu gesto, mas neste imundo
Caos, o Mal castiga o Bem!
A fortuna, que é de alguns, cobre
De miséria, quem é Ninguém!
 
E o vento não me sossega!
E o Mal... não me cala! Penso
Mesmo que o meu lamento,
Não chegará aos homens! Mas chega
De queixume. Meus escritos
Serão lidos e o vento
É meu aliado, nos ditos não proscritos!
 
Por descuido do meu pecado,
Sou usado sem razão!
E disso, jamais darei perdão!
Meu aviso, por ti lembrado,
ficará gravado nos puros do coração.
Sem perdão, vai minha ira.
E não há contemplação
 
Para quem, sem razão,
Invoca meu nome
 de Deus em Vão!
 
Bem. Até breve!
Que os deuses te acompanhem
Na tua jangada de pedra!
 
 
angelino

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santos silva
18/08/2010

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