Vidinha

Vidinha

- HÁ TEMPOS EU NÃO VEJO GENTE
COM OLHOS VERMELHOS
DE TANTO CHORAR ...
 
POR OLHOS QUE, TAMBÉM VERMELHOS,
FORAM-SE EMBORA
E NÃO VÃO VOLTAR.
 
DE FORMA QUE JÁ NÃO DIVIDO
MEUS DESASSOSSEGOS
COM NINGUÉM DAQUI.
 
ONDE ANDAM, ONDE MORAM
OS APAIXONADOS
QUE FICARAM SÓS?
 
REFÉNS DE UM AMOR,
QUE NÃO SE VAI.
AMOR POR UM ALGUÉM,
QUE NUNCA VEM.
 
- AH ...
UMA MALDADE E TANTO
COM QUEM SONHA TANTO
REAVER A PAZ.
 
- HÁ TEMPOS EU SÓ VEJO GENTE
COM LENTES ESCURAS
SE VANGLORIAR ...
 
DA CÔMODA INDIFERENÇA
COM QUE LEVA O PEITO
PRA QUALQUER LUGAR.
 
DE FORMA QUE ME SINTO TOLO
PERSEGUINDO, INSONE,
MINHAS ILUSÕES.
 
COMO DORMEM, COMO MORREM
OS ALIENADOS
QUE PARECEM BEM?
 
ROMANCES CASUAIS,
SEM BEM-QUERER.
NEM DORES, NEM AFÃS,
NEM AMANHÃS.
 
- AH ...
UMA VIDINHA E TANTO
PRA QUEM TEME TANTO,
QUE NÃO SONHA MAIS.
 
 
Francisco Abel Mendes d'Almeida, em 2010.
Para Egbert Fernandes

 

Cantou pra mim ...

"Sabe o que eu queria agora, meu bem? Sair, chegar lá fora e encontrar alguém que não me dissesse nada, não me perguntasse nada também. Que me oferecesse um colo ou um ombro, onde eu desaguasse todo desengano ..." (Vander Lee)

Na foto, Abel.