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EU NÃO SEI SE COMPRO UM BOTE... OU SE EU APRENDO A NADAR!

[Ilustração não carregada]







EU NÃO SEI SE COMPRO UM BOTE
... OU SE APRENDO A NADAR!

 
A chuva que nunca pára
A enchente a inundar
A cidade desampara
Não pode mais amparar
A água transborda o pote
Até não mais suportar:
Eu não sei se compro um bote
Ou se eu aprendo a nadar.
 
Já rezei a todo Santo
Para essa chuva cessar.
Para matar o quebranto
Fui até no Sarava.
Apelei a Dom Quixote
P’ra ele vir me salvar:
Eu não sei se compro um bote
Ou se eu aprendo a nadar.
 
Perdi o rumo, o enfoque,
Do caminho a trilhar.
Os rios – no desemboque –
As ruas vêm alcançar.
Isto até parece um trote
Não dá para acreditar:
Eu não sei se compro um bote
Ou se eu aprendo a nadar.
 
Acho que vou para o Norte
Onde enchentes não há.
P’ra mudar a minha sorte
E a praia aproveitar.
Vou até comprar um lote
E meu rancho levantar:
Eu não sei se compro um bote
Ou se eu aprendo a nadar.
 
Em casa – o paulistano
Já não pode mais ficar
Água sobe pelo cano
Até o teto alcançar.
Põe dentro de um caixote
Tudo que pôde pegar:
Eu não sei se compro um bote
Ou se eu aprendo a nadar.
 
É barranco desabando
Toda hora – todo dia.
As casas, desmoronando,
O povo sem moradia.
O poder diz que é fricote
- Pobre só quer lamentar:
Eu não sei se compro um bote
Ou se eu aprendo a nadar.
 
O Prefeito da cidade
Diz que está “tudo legal”.
Ignora a realidade
- Tremendo cara de pau.
Assiste de camarote
Finge que vai trabalhar:
Eu não sei se compro um bote
Ou se eu aprendo a nadar.
 
Diante de tal descaso
Eu só posso lamentar
O sofrimento tem prazo
Um dia vai terminar.
São Pedro deu no pinote
E a torneira a vazar:
Eu não sei se compro um bote
Ou se eu aprendo a nadar.
 
 
(Milla Pereira)

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Diante do caos provocado pelas constantes chuvas em São Paulo,
nasceu este Cordel. Sampa, olhando a chuva!

Milla Pereira
30/01/2010

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