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A Fome

E agora é a Fome que embala seus cabelos hirsutos,
a dona daqueles olhos cavos,
da pura pele pálida e dura,
os lábios repousam, descorados e murchos.

Salta o sangue que esguicha do tronco ferido,
o que restam das folhas e as glandes já perderam a cor
e os galhos soltos desfalecem sofridos.

É quando você desperta faminto.
Come com apetite devorador,
exige mais alimento, mais bebida,
e a sua fome cresce, cresce, CRESCE...

Sua fome, filha da Noite, cresce no golfo sem fundo de seu ventre,
Já havia consumido parte dos bens que herdara do pai.
Não existe agora outra coisa senão comer e uivar de fome.

E depois entre algum relapso da própria solidez,
você segura firme naquele poema
que leva o seu sobrenome.

Coma.
O poema.
Coma.

Coma, depois me escreva uma lembrança
com o que resta de seus membros.

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Ricardo Abdala
12/11/2009