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Memórias Trocadas

 Sabe aquele tempo que a gente não viveu?
As noites em que não fizemos amor?
Os filmes que não vimos, as palavras que não saíram, os abraços que não nos demos?
São lembranças que vem quando te sinto passar por aquele caminho seco, embalado no samba do seu andar torto.
As noites mais cruéis são as que me lembram suor, calafrios, sussurros...
Tento me mexer em sua volta, contornar seus pensamentos, aflições... É impossível!
É como gritar, gritar, gritar e não ser ouvido.
É como buscar por palavras para expressar o que eu não sei o nome.
É medo de tudo.
É medo de todos.
Não é você que me apavora;
É a premissa de estar perto do seu corpo que amedronta.
Lábio no lábio, olho no olho, sexo no sexo.
É uma tempestade que me atinge, raios me jogam pra fora de um sonho sutil.
Eles me mostram, agressivamente, que para ser de alguém é preciso ser como um sopro;
Em seus cabelos, entre seus meios, meio das pernas, meio do peito, meio do mundo.
Vou soprando eu em você, soprando meu passado nas suas mentiras, minhas imagens nos seus romances...
Vou inventando nossa história.
Os vultos correm desesperados, todos com pressa para chegar a você.
Eu tenho você tão perto, e mesmo com pressa de você chegar, só vejo um vulto.
Sempre nulo. Sempre quente. Sempre em mim.
Eu em você.
Você sem mim.
Nós dois e lugar nenhum.

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Matheus de Castro
26/10/2009