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"Virtual"

[Ilustração não carregada]

 
Eu vejo, mas não consigo tocar.
Converso, sorrio e sou correspondida,
Mas o plano virtual não é igual,
Não transmite energia da mesma forma.
Queria sentir o cheiro e poder tocar a pele,
Estar ao seu lado de verdade
E não através dessa tela fria,
Com “webcan” e microfones ajustados.


Como seria poder ouvir sua respiração?
Nem com microfone isso funciona.
A máquina apóia nas relações entre os distantes
Ajuda na procura de novos relacionamentos,
Mas fica sempre faltando algo
Que nem sempre é possível encontrar.
Cadê as mãos dadas e a energia
Da troca poderosa de olhares?


Virtual, como o próprio nome diz,
Encontra-se no estado da simples
e talvez, remota, possibilidade.
O que se pode encontrar do outro lado
dessa tela produzida e bem montada?
Que cenário pode ser preparado
Por meio desses sinais
Que por vezes não se mantém estáveis?
 
Relacionamentos virtuais podem acontecer?
Posso acreditar nesse meio de comunicação?
Ter segurança fundada em pressentimentos?
E se um fátuo passar-se por inteligente?
E um patife parecer-se um “gentleman”?
O que nos esconde esse mundo virtual?
Existe uma epígrafe que me oriente?
Por isso é que escrevo este epigrama
Para refletir sobre o plano virtual.


Falo, escrevo, porém sou uma adepta
Que se arrisca a entrar nessa rede.
Contudo, não fico gravitando sem rumo.
Sei o que quero e procuro por respostas.
Até agradeço por existir a possibilidade
De estar relativamente próxima de pessoas,
Ciente da restrição de alguns dos sentidos,
Todavia, feliz, por cada virtual encontro.

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Imagem - Google: stoa.usp.br Poesia escrita em 11/05/09

Rosana Nobrega
18/08/2009