FADÁRIO DE UMA VIDA

Meus prosaicos versos que agoniam,
Precavida busca em te querer rimar,
Malogros intentos que me alforriam,
Ofegante desejo de a vida conquistar.

Luzeiros celígenos, excitam prazeres,
Em noites de breu e eu a contemplar,
Paisagem noturna, primazia dos seres,
Festivos passeios sob o céu sem luar.

Marulho das vagas, musical ebriático,
Navega a nau com a brisa a soprar,
Verdes mares... que mundo fantástico!
Caravelas de amor, o mundo a singrar.

Flexuosidade dos arroios... tão belo!
Êxtase visual da montanha a admirar,
Panorama suntuoso, que tanto anelo,
Existência ditosa, prostrado a sonhar.

Ah!... quão belo é a Natureza em festa!
Que mais há de sublime para mostrar?
Sepulto no silêncio à tanta promessa,
Prenúncio de alegria... espero chegar!

Felicidade... a mais requintada ilusão!
Este mundo, nunca me vai oferendar,
Versos meus! A mais tola abstração,
Fadário de vida! Meu lúgubre penar!

Riva. 014