A Voz da Poesia

A Voz da Poesia


O poema nasce
do sopro do vento.
Nele existe uma voz
que diz que o dia
está por chegar.
Nele existe uma alma
que preenche aquilo
que de fato é falso vazio.
Ela é o amor que,
embora imensurável e profundo,
é invisível aos olhos.
São os olhares
dos que se fizeram mansos
e que sonham em ver
a nova aurora.
E no dia do nascimento,
aquele que é novo haverá de surgir
daquilo que já estava velho.
Que não sejamos vítimas
das preocupações,
que tenhamos lucidez
para não cairmos nas ilusões.
Que tenhamos a certeza
que o destino está orientado
por um saber superior e divino.
Que mesmo que queiramos julgar,
talvez nosso discernimento
seja insuficiente
para racionalizar.
Resta-nos cumprirmos
a parte que nos cabe,
manter acesa serena
e perseverante vontade.
Que saibamos readquirir
a pureza dos primeiros dias
para sonharmos partilhar
o pão da ceia das luzes.
Profundos são os abismos,
imensos são os oceanos,
mas é o céu que nos faz
lembrar o infinito.
Pois que seja o céu
o espaço sem fim
por onde se desenvolva
a jornada da alma
que busca a liberdade.
E que nesta possibilidade
o sonho de voar
não seja mera ilusão,
mas concretização
há muito esperada.
Que ao movimentar
as asas conquistadas,
sintamos estarmos
vivendo em Deus
e Ele esteja em nós.
Que em meio
às dúvidas humanas,
comecem a aflorar
as respostas,
já transparentes,
mas ainda ocultas.
Breve é o tempo
destinado ao viver transitório
de uma única vida.
Felizes são aqueles
que sabem ser breves,
amando, acima de tudo,
a eternidade.
Talvez nesse sentir
exista suave felicidade
a espantar a secreta
tristeza do coração.
Quem sabe ainda
uma sensação de profunda paz
que cria serenidade,
que leva para longe
a melancolia.
Grande é o sonho do homem
de atingir o equilíbrio
de uma auto-estima
que não seja escrava do ego.
Longo tem sido o
tempo do plantio,
mas é a paciência a dádiva
que aduba o crescimento
dessa lavoura.
Entretanto, qual não é a dor
em perceber
que a ansiedade humana
torna inquieta
a esperança da alma...
Existe um desejo,
embora calado.
Quer-se o eclodir das flores,
quer-se o nascimento
dos tenros frutos.
Que esses frutos
consigam doar toda a doçura
cheia do intenso amor
com que a Divindade os nutriu.
E esse puro néctar
desperte o sabor
para a verdade
que tanto buscamos.
Reconhecendo, então,
que os filhos serão os irmãos.
Que os que se pensam pais,
também são irmãos.
E então, nem filhos,
nem pais, mas o congregar de todos,
numa única irmandade.
Todos os filhos
de uma única fonte
de toda a criação.
Pois Deus é Pai
e Mãe de todos nós.