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Visitinha do Demo

[Ilustração não carregada]

SEVERINO, MEU COMPADRE!
DÊ OUVIDO A ISSO, NÃO.
ESSE CABRA ENGRAVATADO,
COM DISCURSO ENSABOADO,
QUER SEU XIS NA ELEIÇÃO.
 
NOS OLHOS DELE
MORA UM DEMO ENTRINCHEIRADO.
MESMO BEM ALIMENTADO,
TOPA O GRUDE QUE VIER.
 
“SO UM POUQUINHO.
QUE GOSTOSINHO!
MAIS UM TIQUINHO.
VAI LHE FALTAR?”
 
SUA MULHER,
QUE NÃO TEM CORPO DESENHADO,
NEM CABELO BEM PASSADO,
MORRE FÁCIL COM DOUTOR.
 
“QUE GENTILEZA,
DELICADEZA!
UMA PRINCESA,
TÃO POUCO TEM!”
 
O PREGADOR
AGOURA TUDO EM SEU ARADO:
BOI, SEMENTE, FOICE, GALO,
PANGARÉ, BOTINA, CÃO.
 
“O SEU CANTEIRO,
MEU BRASILEIRO,
SERÁ FESTEIRO.
PROMESSA É LEI.”
 
A MERDIÇÃO
SE DÁ DEPOIS QUE VAI EMBORA.
ELE GANHA, VOCÊ CHORA,
MAIS FODIDO QUE ENTÃO.
 
“NO PARLAMENTO,
COMO EU LAMENTO,
MEU ORÇAMENTO
NÃO DIZ POR MIM."
 
SEVERINO, MEU COMPADRE!
BOTE FORA ESSE BURGUÊS
QUE NÃO SABE DO RISCADO.
FAZ MISÉRIA, CAMUFLADO,
POIS DOMINA O PORTUGUÊS.

 

Abel Puro, em 2003.

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Cantou pra mim...

"Não tenho sabença, pois nunca estudei, apenas eu seio o meu nome assiná. Meu pai, coitadinho, vivia sem cobre, e o fio do pobre não pode estudá."(Patativa do Assaré) Na foto, Abel.

Francisco Abel Mendes d`Almeida
02/07/2008