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De pequenas dúvidas

 
O homem estava tão pequeno, com suas asas cortadas, e cores apagadas, que para mostrar forças, foi embora de casa.
A mulher ficou. Fingindo um pouco de amor, medindo o tempo perdido. Parou e provocou o relógio, pendurado, sozinho como ela, na parede branca.
Implorou para ele um momento e ele só fez: tic-tac.
Ela foi se deitar, com muito gosto, nos lençóis quase novos, nem assim tão velhos e gelados. Gelados de frescor, para os pés e as costas.
E bem cheia de ausência, esticou os braços e pernas, invadindo, com sabor, o lugar antes dele.
Tinha riso dentro dela, e choro também, por fora só se viam pequeninas rugas, de vida mesmo. Estava espaçosa e com rancor. E não pôs a camisola vermelha que ele gostava e nem tinha pudor.
Será que ele volta?
Decidiu por a camisola, só para sentir, e queimou pó de café pelo quarto, espantando fantasmas. Adoraria salpicar umas rosas, mas não tinha.
A chave girou na fechadura, a cama esquentou de supetão. A noite sofreu pequenas explosões.
Ele voltou.

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Vanessa Campos Rocha
30/03/2008

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