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Tempestade

Tempestade

Mudou o tempo aquele sol
escaldante que fritava o asfalto, queimava a pele
e esquentava o vento derrepente sumiu
O céu ficou escuro, o vento gelado e o ar com um
cheiro de passado
Folhas de arvores e arvores que viraram folhas de
papel
dançavam ao vento, confuso e violento
Seguiam para onde o vento as levava,
assim como as pessoas que passam agora nesta rua
com seus carros, como estas pessoas que andam por
estas calçadas
elas são levadas, jogadas por outro vento.
Um vento invisível como o primeiro, mas, é um vento
de natureza diferente é um vento criado, malcriado
pela gente
um vento que nos guia de fora a dentro
e que nos conduz por caminhos de tormentos e lamentos,
e
nos tira a força dando conforto em seus braços
entorpecentes
Escuto o primeiro trovão e ele se confunde
com as batidas de meu coração.
Um idoso que olhava a rua através de seu portão, se
assusta
mas, sou eu quem realmente fica assustado, ao ver
aquela pele enrugada, cabelo grisalho, olhar triste e
parado. 
Lá fica ele como em uma cela atrás de seu portão.
O que pensa ele? Não sei.
O que sei é que lhe resta pouco tempo para pensar
È a vida acaba, passa ! Nisto você pode acreditar.
Acredite não é discurso ideológico ou mito folclórico,
Um dia eu e você vamos comprovar, vamos passar.
O que pensa ele? Não sei. O que sente? Talvez.
È impossível não perceber neste mar de talvez
A triste e humana estupidez, que no espelho se vê
que na vida se crê, e na morte já não tem por que.
Mais trovões raios.
O céu se confunde com asfalto, o raio rasga de um ao
outro chão 
Agora o céu parece chumbo, lembra muito o nosso
coração
Carregado, pesado, tóxico, frágil, venenoso.
Caem as primeiras gotas e logo vem uma enxurrada,
é  uma tempestade e me identifico com ela.
Como somos parecidos humano e tempestade.
Ela vem violenta com poder de destruir nossos
brinquedos,
nossas inúteis criações símbolo da exclusão e egoísmo.
Pode até afogar nossa falta de humanidade,
que nos fez ridículos escravos da sociedade vivendo em
cidades.
A tempestade começa a passar, que coincidência       
     
assim como na vida, o sol não veio depois da chuva,mas
sim,   
a dor, doença e todos reflexos da inundação.
Hoje o sol não vira, a tempestade acabou porem a noite
apenas começou.

Gilson Amaro  03-09-04 

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Gilson Amaro
24/03/2008

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