O ENTARDECER DE OUTONO

Entardecer de tom misterioso
E ventos a vagar sem direção...
Voeja o cortinado murmuroso...
Habita em cada canto, a solidão.

A sala tem um toque desgostoso,
As horas rodopiam, sem condão...
Há sombras de feitio tortuoso...
Aos poucos elas vêm... depois se vão. 

E a tarde, tremulante, aos poucos morre,
Enquanto tudo passa, tudo corre...
E no final comum, de mais um dia,

Evoco uma lembrança, a mais bonita,
Na linha brevemente manuscrita...
Na nota de uma triste poesia...

PAULO MAURÍCIO G. SILVA
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