Sem Sucumbir (8 de Março)

Na montanha a serenidade,
Tranquila, de se invejar.
Adverte com naturalidade,
Sabe bem do seu lugar.
O patriarca lhe causa repulso,
Porque montanha é expansão.
Oxalá tome do seu impulso
E tenha altura nesse chão.
Ainda que o verso seja só verso
E sua floresta não se surpreenda.
Sei do meu grão no universo
E que me vê de alguma fenda.

A montanha sabe dos muros,
Por isso a firmeza na visão.
Sabe da febre dos burros
E do gosto do patrão.
Oxalá renasçam mais montanhas
Como cordilheiras de expressão.
Sendo terremoto ante artimanhas,
Contra cadeias de opressão.
Espero sempre o reencontro...
Ar de montanha a inspirar.
E se na montanha não encontro
É porque me falta caminhar.

Ainda ferimos a montanha
Despojando seu lugar,
Assim como o minério da entranha,
Assim como a madeira além-mar.
Há sabedoria na montanha,
Parece fácil de notar,
Mas a tolice busca só façanha
E não consegue contemplar.
Não lhe conheço montanha,
Mas me nutre sua rebeldia.
Sua data é mais que campanha,
8 de março é todo dia.

R. Quiroga

Rafael Quiroga Maciel
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