ESTATÍSTICA

Fecundei sob suspeitas
De viver um só segundo,
Chorei no horário de Brasília
No revolto Brasil fecundo.

Nasci sem hora agendada
Qual viagem arrependida,
Se não passou por mim as horas,
Quando eu entrei na vida.

Entre um tic-tac e outro
Nasci sem hora marcada,
Sob o vacilo do relógio
Que em vão me vigiava.

Cresci sob fortes suspeitas
Que de fato um dia morreria,
Que de sorte um dia amaria,
Que muito farto de viver, viveria.

Vivo com minhas suspeitas
Sob estatísticas fortes,
Que essa suposta vida
É lida aposta de sorte,
Que essa suposta morte,
É linda aposta de vida.

Gil Miranda
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