Universo Morto

Sem desejo, jazo-me inerte
Para o prazer da carne, a ação frenética
Da sexualidade, a transa eclética
Para a qual todo o gozo, para a maioria, se converte...

E eu não tenho a disposição de outrora
Para o suor e os movimentos, para o tesão.
Nem é questão física, é psicológica.
Talvez um idealismo, quem sabe, a convicção de outra coisa?

Sem marchas arriscadas para esta corrida.
Não atinjo (se bem que gostaria) a alta velocidade.
Não tenho estímulo na jovem e nem na tenra idade...
Causo ofensa e me humilho neste teor da vida...

Fico ansioso, pânico doido de quem nunca fez,
Sendo que já realizei concretamente um dia.
O mundo pode não continuar facilmente:
Basta eu não me levantar mais...

Sobre o verso anterior, uma pauta:
A sociedade e os costumes da virilidade são rígidos.
Muitos e eu já se sentem (e sou relativamente jovem!) tão frígidos,
Para a procriação e a cópula sem compromissos, incauta...

Essa vergonha estranha do desprazer do ato sexual,
O qual, extinguiria civilizações inteiras (sem a ciência).
Tenho em mim sonhos e intenções infinitas,
Mas também carrego a sensação de um universo morto.