Sonhos...apesar dos 70

Não me envergonham
Os sulcos que trago na face
Deixados pelos rios de lágrimas
Que na vida chorei

Nem me incomodam
As dores nas articulações
Que insistem em me dizer
Que envelheci

Atravesso meus dias
Com os sorrisos dos porta - retratos
Que enfileirados nos armários
Lembram o quanto fui feliz

O que vivi e não foi bom
São páginas amareladas pelo tempo
Que foram trancadas e esquecidas
Numa gaveta qualquer

Sou só esperança...

Deixo por onde passo
Retalhos de páginas coloridas
Onde venho tatuando meus sonhos
Que se multiplicam a todo instante

Metas traçadas 
Por um coração envelhescente
Que não se cansa
De bater

Maria Isabel Sartorio Santos

Maria Isabel Sartorio Santos
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