Sem adeus

Você foi embora

E levou no bolso a chave do cadeado dos grilhões

Que prendiam, eu e o meu coração, a você,

Sem nem me dizer adeus

Você me deixou e eu estava preso,

Não ouvi o seu silêncio nunca mais,

Nem senti o seu rosto encoberto pela distância;

As minhas juras de amor ficaram sem eco

E o meu coração provou do prato amargo da solidão;

O céu fechou-se,

Escureceu como a noite,

O meu viver ficou, naquele momento, tenebroso,

Mesmo o sol perdeu seu calor

E a lua ficou sem brilhar por cima do mar

E eu fiquei sem nenhuma chance de voltar a te amar,

Apesar de pensar que aquele amor por você fosse eterno;

Nem o seu retrato eu guardei,

Ele ficou opaco com as trevas nos meus olhos

Com as quais você me presenteou,

Eu e o meu coração,

Que não era forte,

Gritamos ao infinito de dor,

Mas nem ele, nem você, os ouviram,

Só a minha tristeza

E as minhas lágrimas,

Que escorriam pelo meu rosto

E tinham o gosto ruim de se sentir abandonado;

Mas os grilhões romperam-se,

Corroídos pela ferrugem,

Regados pelo tempo

E eu me libertei de você

E isto foi uma vitória sobre a solidão

Mas o espectro da sua lembrança sempre ronda a minha memória,

Voando alto com suas asas angélicas do mau,

E ele tem o seu rosto que eu tanto amei.

Paulo Roberto Varuzza
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