Hidra

O que eu fui que não sou?

Havia o escuro e o trauma.
Sombra e ausência de alma.
Raiva pelo que não fiz, falta de calma
E onde meu eu chegou?

Quantas temáticas eu abri mão
Para deixar os outros confortáveis?
E me calei ouvindo falas desagradáveis
Apenas para não cometer erros irrevogáveis?

E agora, onde foi parar minha emoção?

Os danos são a hidra de Lerna:
Uma hora soltam, outras, agarram a minha perna
E a angústia de não ter identidade é eterna,
Posto que eu nem reconheço sonhos e objetivos...

Sou um indíviduo sem adjetivos.

E por passar sem nada no que consideram tudo,
Quem não me ouviu, dirá que fui mudo.
E meu esforço será visto como apatia, contudo,
Em um sem parar vaivém de um ódio a mim...

O qual cresce feito as cabeças da hidra em um tormento sem fim.