Almas cegas

Na troca de olhares, nestas noites de busca incessante,
Vejo olhos vazios de brilho, vejo olhos dispersos.
Vejo almas cegas, vestidas de solidão.
Vejo o desencanto e o desencontro. Vejo a ausência.

Nas ruas onde o vento frio da noite, congela esperanças,
Sinto o cansaço disfarçado de alegria,
Sinto a dor crescida como a imitar indiferenças,
Sinto desejos molhados pelos beijos dos lábios que nunca se tocaram.

Na solidão de cada um, todo um mundo de pessoas únicas,
Formado por enigmas indecifráveis, por perguntas feitas ao tempo,
Formado por esperas intermináveis, mais longas que a vida.
Formado por caminhos desconhecidos, que sempre voltam ao mesmo lugar.

Somos prisioneiros das angustias,  dos falsos risos,
Quando disfarçamos sonhos que não desejamos sonhar,
Quando renegamos fatos, que não nos permitimos reconhecer,
Quando descartamos ilusões, nas paralelas intermináveis das avenidas.

Jrunder (JRUnderavícius)
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