O Arqueiro

Nada lhe escapa
Aos olhos e ouvidos atentos,
A qualquer movimento percebido,
O silêncio é quebrado em zunido.
Rompe as horas da madrugada
Na muralha fulgurante,
Nem lhe escapa o errante,
Nem lhe escapa o barqueiro,
Palavras aos poetas são como setas
Na aljava do arqueiro.

Do mar, os viajantes,
Dos montes, os jardineiros,
Do norte vieram imigrantes,
Do sul, comerciantes.
Logo se vê na calçada
Os leves passos da moça,
Nem lhe foge a onça,
Nem lhe foge o timoneiro,
Palavas aos poetas são como setas
Na aljava do arqueiro.