O Galinha

 

De grão em grão, acabo enchendo o meu papo

E qualquer quantidade e qualidade de comida me convém

Porque canto de galo, pensa que é bom meu trato

Assim como é bom ser livre no terreiro, com meu harém

 

Mas estar sempre brilhoso e na crista,

Em meio aos cacarejos, que o tempo devora

Exposto a tudo, por nada que persista

Vivo sozinho em uma rinha, com minhas esporas

 

É triste, acredite, voar baixo é um risco

E não queira como eu a sina de estar

Encontrando migalhas, num eterno cisco

E morrendo na panela, de tanto marinar.

 

Guilherme dos Anjos Nascimento

 

 

Guilherme dos Anjos Nascimento
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