Caixas de papelão

Me perdi organizando o que me alembro,

 

E já não sei, no real, o que de sincero vivi,

Forrei cama de boi, pra não mais dormir

Caixas mais leves, não tem nada dentro!

 

Como pude avolumar, quadrado

As arestas, e dentro destas, o vazio

Desdobramentos, que só agora, bravio,

Me sangra, no corte do frágil mal cuidado.

 

Meus pés descalços, flutuaram em condão

 

De bodas em bodas, fui, de presente, embrulhado,

Cacos de grãos de arroz que do chão foram guardados,

Um a um acomodados em caixas de papelão.

Guilherme dos Anjos Nascimento

Guilherme dos Anjos Nascimento
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