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Fotocópia de si mesmo

 
Acontecia, precioso de inusitados momentos
O registro da vida que se revelava,
Memória alegre, que dos defeitos se gargalhava
Pessoas raras de histórias longas, unidas em um coletivo intento.
 
Hoje isto é obsoleto, hoje é para um só a contento,
A vida do registro, que antes não se abarrotava
Filtros que driblam cores, que a realidade retratava
Curvam-se para a pose, o essencial e o intenso
 
Ornamentada de ostentação, perfeição e pressa,
Sem sentido, nem se sabe explicar o que há na gravura,
Sem vivência, apaga-se solitário o significado da pintura
Que é esquecida e nem sequer é impressa.
 
Uma beleza sem sentido é como ver uma trágica peça
Um drama que de imediato a atenção segura
E que no fundo segue, mesmo com sua desventura
Desacreditada e mentirosa, sem que ninguém a impeça

 

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Guilherme dos Anjos Nascimento
27/12/2020