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Banquete de lágrimas

 
Desprovida de si mesma, deguste que só cabe a ela
Ruir de amor com arrepios, nutrindo dele sem que se mereça
Gemendo e suando sozinha, neste banquete à luz de vela
E, como ela, derreter pela chama, consumir sua luz na cabeça.
 
Abraçando sua barriga, comendo sua carência interna
Insatisfeita e amarga, no trono de sua tristeza
Segura como se pudesse, esta culpa eterna
Mas há de se expelir das vísceras o destempero de princesa!
 
Veja, quanto mais se meche, com mais excrementos se mela!
Libere sua prisão de ventre, este amor de crueza
Faça do coração tripas, e das tripas suas pernas
E não retire da latrina o alimento de sua mesa!

 

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Guilherme dos Anjos Nascimento
15/12/2020