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Vítrea Agonia

Arrancaram do meu cesto íntimo o lixo

Para melhor verem se meu ego melhorava.

E a caminhada de glória deveria ter iniciado.

 

Fui, contudo, dispensado até das mais ínfimas risadas,

Onde tanta luz e brilho parecia haver.

Persevera o olhar de quem se responsabiliza...

 

Eu passei a não ter o amor de quem eu realmente queria

E recebi em parcelas ou de uma só vez de quem não precisava:

Pobrecitos de todos nós! Frustração.

 

Idealizei romantismos onde isto era piada.

Sabia que era melhor abandoná-lo, mas teimei ao contrário

Sem estar preparado para os golpes de tantas negativas.

 

Admirei e quis quem não tinha sequer desejo,

Mas não podia abrir mão de mim, tal qual se eu fosse um vício:

Nocivo, mas necessário para a satisfação.

 

Fui percorrendo trilhos gemebundos, a angústia da falha

Constantemente em mim e sentei a aguardar o tempo passar

Só para esquecer o sabor acre e amargo da derrota...

 

Eu nunca fui importante, nem o serei para quem ansiei.

E cansei-me de perder, subtraíram-me esperanças

E quiseram que eu retirasse forças para lidar com isso... Tão normal.

 

Busco agora o lixo que de mim foi removido:

Aquela vítrea agonia do não sentir,

Que era excremento para todos, mas tesouro para quem quer fugir do sofrimento...

 

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Thiago da Silva Carbone
14/11/2020