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Rebanho de Dragões

Pensando nas experiências que me fizeram despertar o olhar verticalizado, lembrei de dois cafés que fui convidado a tomar, com dois professores, um pós-doc em história e o outro em sociologia, momentos ocorridos na UFG.
Foram duas manhãs de correria, resiliência, crença, esperança, renúncia. Fiz o possível e o impossível para estar naquele local. O objetivo era apresentar as minhas buscas e possibilidades.
Fiquei aguardando os professores com inúmeras indagações e ideias. O professor de história apareceu e perguntou: “Você graduou em qual faculdade?”. Disse com entusiasmo que tinha concluído a graduação na UEG, e fui falando sobre os meus anseios, vontades e expectativas dentro da academia, destacando o interesse de ingressar no mestrado e doutorado da UFG.
O professor ficou em silêncio, olhou-me com desdém, vomitando a seguinte frase: “Não posso te orientar, estou sem tempo.”
O pós-doc em sociologia simplesmente não apareceu. Depois de horas esperando por ele, fui até a direção do curso e descobri que ele não trabalhava naquele dia da semana. Andando por aqueles corredores gigantescos, observava os “dragões” que por ali circulavam, cultivando a mediocridade, a indiferença; seres pós-docs, manipuladores do conhecimento, porém, não detentores do saber.
Educadores bestializados que lamentavelmente cultivam o ego e o egoísmo, deixando de despertar futuros formadores de opinião, para pastorear ovelhas, marcadas e manejadas em um minúsculo plantel.
Hoje em reflexão, após cinco anos dos frustrantes cafés que, aliás, confesso que nem tomo café, quero dizer obrigado aos pós-docs, por contribuírem com meu despertar, feliz estou por não fazer parte desse rebanho.

 
 

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Dhiogo J. Caetano
11/10/2020